ÀCERCA DA CIDADE MURADA NOS NOVOS TERRITÓRIOS DE HONG KONG
Para a introdução deste tema, há que regressar ao fim das Guerras Napoleónicas e à emergência do Reino Unido como maior potência industrial da época.
O Reino Unido, com a revolução industrial, precisava de matérias-primas e mercados consumidores.
A Índia já era uma possessão britânica, e de lá os ingleses produziam ópio das papoilas e urgia abrir outros mercados, mesmo que à força.
Já no século XVIII os britânicos compravam milhares de toneladas de produtos chineses como a seda, a porcelana, (conhecida como China ware) e o chá que adoptou. A China, por seu lado, desde os tempos em que o imperador Xuande dos Ming mandara acabar com as explorações marítimas do almirante Zheng He, porque a China possuía tudo o que havia no mundo, isto é, 天下 (debaixo do céu), o Império do Meio fechou-se ao exterior. Para trás ficavam as viagens de Marco Polo. Apenas o jesuíta Matteo Ricci, nos princípios do século XVII, conseguiu atingir Pequim através de Macau e da capital, e, entrando na Cidade Proibida a convite do imperador Wan Li para se tornar seu astrónomo. Vestiu-se à chinesa, tendo traduzido para chinês “Os elementos” de Euclídes e os Clássicos Confucionistas para latim.
O imperialismo britânico manifesta-se na sua expansão para a China, envenenando-a com a introdução do ópio pelo porto de Cantão (Guangzhou). Era preciso equilibrar a balança, era preciso vender um produto que fosse viciante.
Perante a proibição da China a introdução do ópio, dão-se combates navais que os ingleses vencem. É a primeira Guerra do Ópio, resolvida pelo tratado de Nanjing de 1842 no qual estava incluída a ilha de Hong Kong ou 香港 (porto fragrante ou aromático), que rebaptizando a então rocha de ilha Victoria, em homenagem à rainha.
Porém, queriam mais, e continuando a introduzir ópio na China, tendo em 1856 desencadeado nova guerra também conhecida como II Guerra do Ópio, agora com outras potências ocidentais, tendo dois anos depois, pelo Tratado de Tianjing assegurado que uma dezena de portos chineses seriam abertos ao comércio de ópio com as potências ocidentais. O Imperador manchú Xianfeng recusou-se a apôr o seu selo no acordo, provocando a invasão de Pequim. Datam deste período a instalação de legações ocidentais em Pequim e depois em Xangai, onde se tornaria famoso o terrível dístico junto das legações “proibida a entrada a cães e a chineses”.
Com a forçada ratificação do Tratado de Tianjing também Kowloon passou para o domínio britânico durante um período de 99 anos.
Compreender-se-á assim o ódio com que os chineses olhavam os ocidentais em geral.
O forte chinês do período Song (960–1279) nos Novos Territórios, futura Cidade Murada
É assim que, de um velho forte chinês, nos chamados Novos Territórios, adjacentes a Kowloon, existente desde a dinastia Song, ocupando um território que se tornou terra de ninguém, nasceu aquela que ficou conhecida como a cidade murada, uma autêntica favela na vertical, de uma incrível densidade, onde famílias inteiras viviam em construções precárias, com áreas que chegavam a ter apenas 10 m2, e onde a luz do dia raramente entrava. Ocupava uma área equivalente a 4 campos de futebol, albergando cerca de 33.000 pessoas em situações tão exíguas e insalubres como as camas gaiolas que existem em Hong Kong desde os anos coloniais de 1950.




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