AS ELEIÇÕES NORTE AMERICANAS DE 2020

 


Os Estados Unidos da América existem, independentes, desde 4 de Julho de 1776, há precisamente 244 anos.

Comparando com a história Portuguesa, constata-se que a nossa primeira dinastia, iniciada em 1143 e finalizada com a morte de D. Fernando em 1383, tem 240 anos, naqueles idos do século XIV, sem contar com o interregno.


Indubitavelmente as nações constroem-se pela guerra, porque a autonomia é algo que ninguém dá.
Temos assim que os E.U.A. são um país muito novo,  na história do mundo descoberto por Colombo


E nessa condição, muita da sua arquitectura e urbanismo rurais, bem como das pequenas cidades, mantém uma matriz urbanística trazida das velhas cidades do Oeste. A violência, porém, nunca esteve arredada dos diversos cenários da vida norte-americana. Não falo de John Wayne, falo por exemplo de “The Gangs of New York” de Martin Scorcese, passado em 1860, com grandes actores como Daniel Day-Lewis, Leonardo di Caprio e Liam Neeson. É uma história de gangs católicos e protestantes Irlandeses que disputariam pouco depois os territórios com os imigrantes italianos da Máfia como se vê em “O Padrinho” de outro portentoso cineasta, Francis Ford Coppola. 



Esta filmografia que destaquei reflecte bem uma certa América sem necessidade de recorrer ao massacre dos ameríndios e do heroísmo de George Armstrong Custer o general americano com pretensões à Casa Branca, massacrado com os seus homens em Little Big Horn por uma coligação de tribos ameríndias que, anos depois, seriam dizimadas e os seus remanescentes metidos em reservas. 


Um "herói" assassino


Não nos esqueçamos dos Estados do Sul onde se cultivavam plantações de tabaco e algodão, pela mão de escravos, mais concretamente os estados do Mississipi, Alabama, Geórgia e partes do Texas e do Arkansas.

Precisamente por causa do movimento abolicionista da escravatura dos Estados do Norte, a Guerra Civil eclode entre 1861 a 1865 sob a presidência de Abraham Lincoln.


Cicatrizes de um escravo da Louisiana 1863


Perante este passado bem recente, na curta história dos Estados Unidos, onde uma constituição escrita pelos Founding Fathers em Philadelphia, em 1787 não contempla hoje o princípio básico de "um cidadão um voto".


No entanto somos bombardeados internacionalmente pela maior potência económica e militar com as palavras democracia, liberdade, etc. etc.

Trump faz parte do folclore como o palhaço pateta que confrange muitos americanos e o mundo.


Democracia à maneira de uma, parece que, imutável Constituição escrita no século XVIII onde representantes eleitos substituem o universal um homem um voto? Democracia numa selva capitalista onde não há Serviço Nacional de Saúde? Democracia onde o racismo continua a imperar, onde a polícia mata negros desnecessariamente, por sufocamento, como George Floyd ou com dez tiros, como sucedeu muito recentemente? Democracia em que os E.U.A. se auto-configuram como polícias do mundo? Democracia onde os negros estão colocados generalizadamente em ghettos, quase à maneira do Ghetto de Varsóvia? Democracia onde cabem milícias armadas, inconcebíveis em qualquer parte do mundo? Democracia num país onde o crime violento é dos maiores do mundo? Democracia onde se invadem países e se fazem guerras que não lhes dizem respeito? Será que a pesada derrota no Vietname ainda não foi aprendida? Provavelmente o negócio de armas é mais importante do que as vidas.


Milícia Armada em Pittsburgh


Milícia armada com a bandeira dos Confederados à esquerda.


Trump é um vigarista-populista, um mentiroso compulsivo. Só numa sociedade de baixo nível educacional e cultural – há que relevar todas as grandes excepções – com especial incidência para os racistas e os de extrema-direita, aliada a uma sociedade alimentada por televisões de baixo-nível, de uma cultura política destituída de qualquer ideologia e da cultura da violência, pode existir uma figura com Trump.


Por isso, talvez não seja má ideia pensarmos antes de utilizarmos a palavra DEMOCRACIA, ganhe quem ganhar. 

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