O CHAPÉU DE TRÊS BICOS

 


Ao ver a imagem do Pirata das Caraíbas, ocorreu-me prontamente a canção “o meu chapéu tem três bicos” cuja letra vai e volta, na redondeza da repetição simétrica. E porque lembrança puxa lembrança, veio-me à memória o Vasco Santana e o seu “chapéus há muitos” e, por fim, passou na minha mente a imagem do toureio a cavalo, em que o cavaleiro espeta a bandarilha no touro e, agarrado ao cavalo que foge do animal tirando o tricórnio e apontando-o na direcção do boi antes de o elevar, com o braço estendido, agradecendo ao público aficcionado. Haverá uns poucos que aplaudirão, entre dois olés, a bancarrota, “o dever acima de tudo”.  

Talvez haja uma razão para que tenha caído em desuso o tricórnio, o dito chapéu de três bicos. Até porque actualmente, quem olhe para ele atentamente, verá que dos dois bicos traseiros, um é inexistente, fora de prazo, caído, e o outro vai, colado atrás do bico da frente, confundindo-se os dois na renúncia da identidade traseira. 

Estamos então perante uma transcendente questão existencial e identitária: afinal isso é um tricórnio ou um dos muitos e banais chapéus gritados pelo Vasco? 

Sim, sempre achei fundamental saber o que se põe na cabeça. É que, se há décadas o tricórnio era respeitável e respeitado, a realidade evolui e, pessoalmente, não gosto do déjà vu, porque exala um cheiro rançoso. Mas é preciso obter uma resposta a esta pergunta; afinal o que são estes dois bicos de três? Que chapéu é este que usa e abusa da inutilidade de um dos bicos?

Cá por coisas, raramente uso chapéus e, quando os uso, sei que têm uma aba de 7 cm e são sempre de modelo Fedora, que só tem um bico à frente. Equívocos, isso é que não.



Comentários

Mensagens populares deste blogue

O QUE TEM FEITO A CHINA

O DISCURSO DE MARK CARNEY EM DAVOS

O FINAL DA MADRUGADA