A ESPADA DAS RUNAS

 




Sou, porque assim aconteceu, uma pessoa que sempre conjugou dois universos, o Oriental e o Ocidental, e acredito numa visão holística, numa teia que tudo liga. Nada é uma coincidência.

Aos 18 anos deparou-se-me numa livraria do Chiado com o Tao te Qing, o "Livro do Caminho e da Virtude" numa tradução livre.  Não me lembro quando me chegou às mãos o "I Ching" o Livro das Transmutações, onde os 64 trigramas se combinam em hexagramas. Porém, recordo-me que aos 28 anos, hesitante quanto ao arrojo de querer visitar Portugal e propôr à Fundação Calouste Gulbenkian uma exposição do espólio do Museu  que já dirigia, resolvi consultar em casa o Livro das Transmutações. Era arrojado de facto, e porque sim, consultei o "I Ching" que me deu esta resposta que guardo na memória: "É preciso atravessar o grande rio ou mar. Sucesso". E assim parti mais encorajado. O resultado cumpriu-se como se pode ver na fotografia.

Inauguração da Exposição Macau 400 Anos de Oriente - Fundação C. Gulbenkian 1979


É algo inexplicável, embora não me importe que pensem que sou supersticioso, porque não sou e, para mim, apenas o que eu penso me conduz.
Sucede que com o tempo outros horizontes chegaram até mim, ou eu até eles, na tal "teia" holística a que aludi.
Entretanto cresciam os livros sobre o budismo e o taoísmo. Começava, penso eu, a compreender o conceito do vazio, dos opostos Yin e Yang, etc.
Em paralelo surgem então as runas. O lançamento das runas uma vez por ano punham-me a pensar como Oriente e Ocidente tinham nesta forma de esoterismo, tanta proximidade.
 No ano em que tinha uns 55 anos, e já de posse das runas desse ano, passei por uma experiência profundamente espiritual e transcendente. 
Senti imediata necessidade de mandar fazer uma espada comemorativa dessa experiência, ostentanto as 3 runas que me tinham saído.
O que mais impressionou foi a narrativa do cuteleiro canadiano Glen Parrell, que transcrevo para português:

"Comecei a criação da espada das runas há cerca de um mês e fiquei muito feliz por participar do seu nascimento.

Com a ajuda do António, designer e bom amigo, embarquei numa jornada maravilhosa pela progressão da espada, passo a passo, parando apenas ocasionalmente para tirar fotos ... todas as quais podem ser encontradas na página da espada das runas.

Do primeiro golpe do martelo até ao último polimento, esta peça adquiriu um toque muito místico e parecia criar uma força própria amplificada pela montagem final. Nenhuma outra peça que eu criei despertou tanto respeito quanto esta ... Por exemplo, muitos dias durante a criação da espada, fui visitado por milhares de corvos que pareciam não ter nenhum problema com o trabalho do desbaste  mecânico do meu trabalho. Tive que documentar isso por medo de que ninguém acreditasse em tal visão.


Corvos (mensageiros de Odin) pousados nos fios de telefone (?) da oficina de Glen Parrell formando como que uma Runa, de permeio a uma enorme ventania.

No último dia da criação, fui novamente visitado pelos corvos logo após o trabalho final.

O céu estava silencioso ... Sentei-me na loja por cerca de meia hora contemplando o significado do trabalho e até hoje sinto um vínculo muito forte com a espada ... com uma forte necessidade de completá-la sua jornada para António.

Criei muitas lâminas nos últimos anos, nenhuma das quais cativou o meu espírito e exigiu tanto de mim. Em muito pouco tempo esta peça foi uma coisa pequena e não posso esperar para embarcar em outra peça com o António novamente :-)


Glen Parrell

7 de março de 2003"


O envio da espada ocasionou a sua perda temporária, tendo visitado Portugal e Paris, perfeitamente fora do percurso entre Canadá e Macau. 


Fotografia de Glen Parrel com a enorme Espada das Runas.


Estou como o ditado espanhol: "pero que las hay, las hay" e, efectivamente quando poucos anos mais tarde fui iniciado no Reiki pude sentir e perceber muito do que até lá me tinha sido vedado, porque o meu chakra da coroa não tinha sido aberto, e consequentemente, nenhum dos sete chakras funcionava.
Hoje, ultrapassado o 3º. nível, percebo que as espadas tornam-se instrumentos não de morte, mas de simbologia, e algumas são portadoras de energias próximas da mítica espada flamejante do arcanjo Miguel.
É evidente que quando entramos na área do esotérico, isto é, do que é hermético ou oculto, deparamo-nos com a troça de muitos. Mas o que é certo é que a está patente o testemunho de Glen Parrell.




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