O SÍNDROMA DO SUPERMERCADO
DA ETIQUETA E BOAS MANEIRAS ONLINE
Tenho este defeito de considerar que estar presente em pessoa ou na internet exige o mesmo grau de educação e, consequentemente, de respeito e cortesia que dedico aos outros e a que julgo ter direito.
Estas coisas vêm do berço, e sendo por natureza pouco dado a agrupar-me, aprendi a defender ferozmente a minha independência, destituído de hábitos corporativos, e tratando sempre, pobre e rico, da mesma maneira.
Este escrito acaba por ser, afinal, não um mero protesto, mas uma como que contribuição para o que somos virtualmente, como cidadãos cibernéticos.
Está comprovado, que o comportamento das pessoas, quando por detrás de um computador ou telemóvel, se altera, provavelmente protegidos pela cortina do código binário que parece transmutar o modo como as pessoas - sobretudo aquelas que não se conhecem - se relacionam. Mas essa transformação afecta também pessoas conhecidas que, quero crer, se estivessem em pessoa, teriam outro comportamento.
As redes sociais são um poço de surpresas e de irradiação de comportamentos inesperados.
Dir-se-ia que estamos num imenso supermercado onde o escrito que alguém (no caso eu) elaborou com trabalho, é apenas pegado e metido na cesta da partilha como se fosse uma couve ou um molho de bróculos, assim de passagem. Nas redes sociais, há gente que acha que a cortesia não faz parte do pacto educacional, e isso a mim incomoda-me porque sempre pedi autorização para partilhar algo que achasse que tivesse interesse para a comunidade. Para mim as redes sociais são uma comunidade composta por pessoas que têm ou aparentam ter afinidades. Por isso se agrupam como "amigos". Quando essas afinidades não existem, nada mais há que as ligue.
Por outro lado, a palavra “amigo” banalizou-se. Eu não tenho 1.847 amigos. E alguns pedem “amizade” para depois pedirem um “like” numa qualquer página . É o comércio da “amizade”. É a desfaçatez e leveza das redes sociais.
Pede-se “amizade” e é raríssima a pessoa que envia uma mensagem a adornar o pedido ou a agradecer a aceitação do mesmo.
Por isso, e antes de me decidir a abandonar o Facebook, que uso fundamentalmente para partilha de ideias, princípios e alguns posts que considero interessantes ou edificantes para compartir com os meus amigos, creio que terei de fazer uma limpeza. O certo é que depois de ter visto a minha lista de amizades, conheço quase todos.
É aqui que vemos o berço de cada um, ou o modo como cada um interpreta uma comunidade virtual (ou rede social). E também a amizade, quando esta existe.
Partilhar algo sem uma palavra é uma desconsideração, é entender o Outro a quem se vai buscar o escrito, video ou imagem, como uma cesta de fruta ou de legumes de um supermercado.
Para estas pessoas reservarei desde já uma coisa: o bloqueio, para que não voltem a tratar o meu mural como um supermercado.
É que há aquele velho ditado: para que a má-educação impere, basta que ninguém faça nada.
E porque há amigos que me merecem consideração, partilho com eles estas linhas. Peço antecipadamente desculpas se falhar alguém, mas eles sabem quem são.

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